Furtos e Roubos em condomínios

Vários casos de furtos e roubos a condomínios vêm sendo reportados nos últimos meses com um ponto comum em 75% das ocorrências: falha humana no controle de acesso.

E a culpa não é só do porteiro, não! Tem muito morador que literalmente abriu o portão de entrada do condomínio para o bandido – geralmente jovem, bem arrumado e educado – adentrar e tocar o terror entre a vizinhança. De forma silenciosa e discreta.

Segundo especialistas entrevistados, os arrastões, que dominavam a cena há cerca de 10 anos, agora são mais raros. Em 2019, há registro de apenas dois casos na Grande São Paulo. Se por um lado os arrastões diminuíram, por outro, os furtos a condomínio, praticados por menores de idade, começaram a ganhar espaço nos últimos cinco anos. A razão? Impunidade.

Crescimento dos furtos em condomínio praticados por menores de idade
“As quadrilhas identificaram que furto é a melhor modalidade de crime em condomínios porque o infrator menor de idade não vai preso. Como não emprega violência e nem grave ameaça, este jovem, se pego em flagrante delito, é levado para a delegacia onde se registra a ocorrência, telefona-se para os pais ou responsáveis para ir buscá-lo e é solto”, explica Lauro Athayde de Freitas Neto, diretor da Delta Uno, consultoria de segurança especializada em treinamento a funcionários de condomínios.

“Toda autoridade é escrava da lei. Dentro da moderna criminologia, os menores praticantes de furto se encontram no grupo secundário e, no máximo, aplicam-se ações educativas e preventivas”, complementa José Roberto Rodrigues de Oliveira, secretário de segurança urbana da cidade de SP.

Falhas na tecnologia, no controle de acesso e distração ocasionam invasões a condomínios
Segundo levantamento elaborado pela empresa Delta Uno, as causas de invasões a condomínios estão assim distribuídas:

25% por falta ou falha de tecnologia (segurança eletrônica)
33% por falta ou falha de protocolo de segurança
28% por falta de treinamento / despreparo humano
14% por desatenção humana
Somando-se as três últimas causas, chega-se aos 75% de ocorrências por falha no controle de acesso ocasionadas por porteiros, vigias ou moradores que não seguem um protocolo de segurança (que muitas vezes nem existe), estão despreparados para enfrentar situações que desencadeiam em invasão ou por pura distração.

Anualmente na Grande São Paulo, cerca de 3 mil invasões ou tentativas de invasões acontecem nos condomínios, de acordo com as estimativas da empresa. “Em média, são 80 casos por dia. Em torno de 6% do total de condomínios da região já foram vítimas de furto”, informa Lauro Athayde, da Delta Uno.

Arrastão em condomínios: modalidade de crime em baixa
Silhueta de quadrilha de ladrões

Décio Soares Tenório, diretor comercial do Grupo Souza Lima, explica que há dois tipos de quadrilhas que comentem crimes em condomínios.

A primeira é mais especializada, formada por mais de 10 homens, com recursos e inteligência, que miram em um alvo para fazer operação mais bem-sucedida.

Buscam condomínios de alto padrão onde há empresários e estrangeiros. Estes são particularmente atrativos por nem sempre terem conta corrente no País e, por isso, costumam ter dinheiro vivo e joias.

“Essas pessoas caem no ‘radar’ das quadrilhas que armam o assalto. Aproveitam para fazer arrastão nos vizinhos. Eles são profissionais do crime, articulados e com inteligência, pois já tiveram acesso a informações e especialização técnicas e sabem quais são os meios de acesso”, explica Tenório.

De acordo com o consultor de segurança pela empresa SUAT, José Elias de Godoy, em 2009 houve muitos arrastões, ano em que a 4ª delegacia do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) passou a investigar os crimes cometidos em condomínios.

“Começaram a mapear e desmantelar as quadrilhas. Houve queda nestas ocorrências e, em 2012, começou a crescer o número de furtos, que representam mais de 95% dos crimes em condomínios atualmente”, diz Godoy.

Jovens bem arrumados e educados praticam furtos em condomínios
Segurança terceirizado

O furto é cometido pelo segundo tipo de quadrilha, menos organizada. É formada por oportunistas que escolhem condomínios em regiões bem frequentadas, moradores de poder aquisitivo mais elevado, com celulares caros, relógios e joias. “São lugares que oferecem sensação de segurança e não investem em prevenção”, comenta o diretor da Souza Lima.

[NOTÍCIA] Imagens acima são do recente ocorrido em um condomínio do Morumbi, bairro em São Paulo.
De acordo com o delegado de polícia na cidade de São Paulo especializado em segurança condominial, Carlos Alberto da Cunha, essas quadrilhas praticam crimes de oportunidade: prospectam condomínios caminhando e observando quais são os mais fáceis de invadir, que oferecem menor risco.

“A esmagadora maioria é jovem, menor de idade, desarmados e entram pela porta de entrada das mais diversas formas, enganando porteiro e aproveitando falha de procedimento. Uma vez dentro do condomínio, verificam nos andares quais apartamentos estão sem ninguém batendo nas portas ou tocando campainha. Vão com ‘pé de cabra’, abrem as fechaduras e cometem furto qualificado por arrombamento”, explica José Elias de Godoy.

EM RESUMO, OS FURTADORES SÃO:

Menores de idade
Aparência física alinhada ao padrão do condomínio
Bem educados
Bem vestidos
Atuam entre 8 e 17 horas, quando os moradores estão no trabalho
Possuem técnica para abrir as fechaduras com pé de cabra
COMO ELES AGEM:

Enganam porteiros, passando-se por parentes ou amigos de moradores
Aproveitam distração de moradores e “pegam carona” na entrada do condomínio
Atuam sozinhos ou no máximo em dupla, para não configurar formação de quadrilha
Furtam itens com maior valor agregado e menor volume, como notebooks, celulares, relógios, joias
Usam mochilas ou malas das vítimas para levar os itens furtados
Falso corretor de imóveis e outros disfarces usados para invadir condomínios
Além dos jovens descritos anteriormente, outro disfarce que vem sendo bastante usado é o do falso corretor de imóveis com um cliente, alerta o delegado Carlos Alberto da Cunha.

“O oportunista que se passa por corretor de imóveis é mais velho, bem arrumado, mostra que tem uma chave, se diz sempre atrasado colocando pressão no porteiro para liberar a entrada sem passar pelo controle de acesso. Se o porteiro não souber que o corretor precisa ter autorização por escrito do proprietário, apresentar documento com foto e CRECI, acaba deixando entrar”, explica Cunha.

Também começaram a pipocar furtos praticados por falsos inquilinos que alugam apartamento usando plataformas digitais de locação. “É difícil de combater porque os criminosos fazem reserva do apartamento com nome falso, apresentam documento falso e entram. É polêmico não só no Brasil, mas em outros países que adotam essas plataformas”, explica Lauro Athayde.

Outros disfarces continuam sendo usados por criminosos. Eles se passam por prestadores de serviços de empresas de telefonia, TV a cabo e concessionárias de gás, luz etc

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